Nada melhor que começar o ano com um crazy monkey!
Tradicional trilha da capital paulista, berço de vários bikers paulistanos, é uma trilha overall, combina trechos técnicos de muita erosão e escorregadios, com vários single tracks, subidas e descidas e vários obstáculos, como rampas de terra e madeira, entre outros.

No meio do caminho existe a opção de visitar uma cachoeira para dar uma refrescada e um trecho com a escolha entre dois caminhos: hopihari ou playcenter, o primeiro uma subida no famoso estilo empurra-bike que mata qq um mas vem a recompensa, uma bela descida, íngreme e reta, beirando uma cerca de arame farpado, adrenalina a mil! O playcenter é um single track básico, um corta caminho com algumas subidinhas.
A trilha ainda conta com várias rampas, de terra e madeira, construída por vários "operários do freeride".
A trilha já foi palco de disputa, a guarda florestal chegou a fechar o acesso interditando a trilha, mas os bikers de são paulo se uniram e mostraram sua força. Foi criada uma comissão, que fez um levantamento ambiental da área, propôs um plano de manejamento e executou, possibilitando a reabertura da trilha. Parabéns aos idealizadores!

Combinei essa queda com alguns amigos e após algumas desistências o grupo foi: eu (Alis), Fábio e João, o Fábio "macaco velho", no caso do João seria seu batismo, nunca havia feito uma trilha e estreou no macacos molhado e chuvoso, em grande estilo!
As 8:45 encontro o João num posto de combustível perto da entrada da Marginal Tietê. Ao encontrá-lo que surpresa, o maluco estava de roupas brancas! Já avisei: -Vc vai voltar marrom! de barro! hehehe.
O dia estava nublado e com chuva, mas nem por isso desistimos.Dali rumamos para pegar o Fábio, após arrumarmos as bikes na pickup o Fábio se compromete a ir na caçamba junto com as bikes, encontraria muita chuva pelo caminho... e frio ao chegar no alto da serra... sem esquecer é claro que no meio do caminho um carro passou numa poça d'agua e encharcou nosso amigo, ele sempre precisa de um pouco de água suja na cara, não é mesmo Fabio??? hehehe

Rumamos para a zona norte, a chuva apertando e ao subir o frio tb. Qdo chegamos no alto da serra o frio estava de lascar, as gotas de água caíam como gelo. O Fabio que o diga, pois estava na caçamba da pickup, quase congelando!Descarregamos as bikes no alto da serra e desci com o carro para deixá-lo lá em baixo, no tradicional Bar do Pedrão, ponto de encontro dos jipeiros, motoqueiros, bikers e todo aventureiro que curte a região.
Na descida da serra a primeira aventura, pois estava uma chuva torrencial, a estrada completamente encharcada. Enfim chego no bar do pedrão, deixo o carro no estacionamento e começa nova aventura, conseguir um transporte de volta para o alto da serra, onde amigos e bikes estavam me esperando.
Então começa a segunda aventura, ao descer para a estrada para conseguir alguma carona ou transporte surge o onibus de linha de vem de Mairiporã, embarco no danado mas como nada é perfeito tinha um caminhão no início da subida, bem lento, a pé eu iria mais rápido que ele. Após longos minutos o onibus consegue ultrapassá-lo e mais alguns minutos depois estou no alto da serra.

Pego a bike, nem faço aquecimento, na maior gana (como diz meu amigo ET: gana gana gana) e vamos despencar na trilha.Como era de se esperar está lama pura!
O trecho inicial é bem té
cnico, escorregadio, cheio de valas e passagens traiçoeiras. Tenho o prazer de introduzir o João na trilha, após algumas rápidas instruções e vamos seguindo.De repente paramos para esperar o João e ele vem chegando como se fosse num slow-motion, escorrega e vai direto pra uma vala cheia de lama, dando um belo mergulho! A risada foi geral! Pronto, está batizado!
Seguimos curtindo o barro, a trilha e o visual, pura mata atlântica, que na chuva estava ainda mais bela.

Várias descidas alucinantes, adrenalina a mil, vamos chegando ao fim da trilha, só falta e
nfrentar o saco roxo e o saco preto.É legal ver o espanto do batismo, o João percebeu que ali freio nao adianta nada, o cara tem que ter controle da bike mesmo.
No saco preto, ao mesmo tempo que o Fabio pulava da bike que caía o João beija o lindamente o chão, no maior ato de submissão que um bike pode ter, se rendendo totalmente
ao grande poder da trilha do macaco e da serra da cantereira. Brincadeira a parte foi um rola básico, algumas escoriações na mão, bike torta, mas não tem problema, mais alguns metros e chega o fim da trilha, mas não da brincadeira, pois temos um bom pedaço estrada de chão batido com lama pela frente e um pequeno trecho de asfalto, na chegada ao bar do pedrão.
Na mais perfeita paz, de corpo, alma e espírito, chegamos ao final de mais uma trilha!

Parada para fotos, que rolaram somente antes e depois da trilha, uma pena, pq não havia condições de levar a camera fotográfica naquela lama.
Pit stop no pedrão, comi um belo x-egg com um guaraná geladinho, cada um devorando seu lanche com vontade, várias risadas, lembranças fresquinhas e já combinando o próximo role.
Nada melhor do que estar entre amigos, fazendo o que se gosta, em sintonia com Deus e a natureza...
Mais um dia perfeito no macacos...


Relato nas palavras do Fábio:
ok, vcs podem me chamar de maluco....realmente acordar as 7h de um sábadofrio e chuvoso para dar umas pedaladas não é coisa de um ser"normal".....
ainda mais se vc juntar a isso o fato de ir na caçamba da pickup do seu amigo, junto com 3 bikes, tomando chuva na cara e sentindo ovento no corpo todo.....e o pior, achar que isso já faz parte dadiversão....
tomar uma espirrada de água na cara de um carro que passou napoça a seu lado, passar um frio desgraçado no topo da cantareira, olhandocom inveja para seu outro colega que está de calça e blusa....

e vc lá, de
bermuda e camiseta de ciclista....tremendo, pulando, fazendo flexão e todosos outros tipos de coisas bestas pra se manter aquecido enquanto espera ooutro maluco que foi deixar o carro não sei quantos metros abaixo pra fazernosso resgate depois da trilha....
é..eu sei....vc não tá achando isso normal.....
mas acho que algumas coisasque vc vai ler de agora em diante vão te soar como normal....
ou pelo menostenho certeza que vc gostaria de passar por essas situações com mais frequência.

sentir um pouco de adrenalina provocada por uns buracos logo no começo datrilha, ver a água correndo ladeira abaixo e te levando junto, o contatocom a natureza (mesmo fria e chuvosa), dar risadas com os tombos dos amigos que esquecem que estão numa trilha e não numa piscina, que devem se lembrar de markolf bertchold e não de yan torpe, de sentir o mato batendo na cara, de se machucar na bike e nem se importar com isso, de rir de vc mesmo, de se lavar como pode numa torneira de uma rua qualquer, e de após tudo isso, sentar numa mesa pedirum baita de um "X-alguma coisa", devorar tudo, lembrando do que aconteceu e rindo disso e de outras coisas que aparecem....tudo isso já com o próximo"passeio" marcado.
perto de tudo isso, vc ainda se lembra que tomou chuva e passou frio namanhã de sábado? eu, sinceramente não....então, o que é normal pra vc?

A trilha nas palavras do João:
Bem, esta foi a minha primeira trilha e segundo nosso amigo Alis, "eu fui bem batizado".

Passei frio, tomei chuva, vários tombos, mergulhos em "lagos de lama", mas faria tudo novamente porque a emoção e adrenalina de descer a trilha dos macacos não pode ser descrita somente com palavras.
Só fiquei com dó de meu traje que não resistiu e teve que ser jogado fora. Isso mesmo, a quantidade de lama era tão grande em minha roupa que simplesmente seria impossível lavá-la.
Ainda bem que segui a sugestão do Alis e vesti algo "bem velho".Para quem, assim como eu, não conseguia imaginar uma descida onde freios não fazem diferença, viver esta experiência é uma boa pedida.

Com certeza irei fazer outras trilhas com meus amigos para "cair" mais algumas vezes e arrancar risadas deles.
