Posted by Alis on Oct 25, '06 8:07 AM for everyone
Aproveitei minha ida a Belém para conhecer a Ilha de Marajó e com certeza valeu a pena.

Saí de Belém no domingo, dia 08/out em direção a ilha. Estava hospedado no hostel de Belém, então arrumei minhas coisas e desci a pé em direção as docas, onde é feito o embarque no barco que faz a linha Belém-Ilha de Marajó. Peguei o barco as 13:30 numa viagem de aproximadamente 4 hrs. Apesar de ser um barco relativamente grande balançou muito, fiquei um pouco enjoado mas deu pra segurar.


Chegando a ilha

A ilha possui 2 principais cidades que são Salvaterra e Soure, que ficam distantes do porto de chegada e saída, Salvaterra aproximadamente 20 km e Soure mais alguns km e uma travessia de balsa.

Ao chegar em Marajó a primeira surpresa, não havia condução para a cidade. O horário do barco que peguei foi alterado somente neste dia, pois aos domingos o barco parte somente na manhã, mas devido as comemorações do Círio de Nazaré em Belém o horário foi alterado para tarde, então quando chegamos na ilha provavelmente alguem esqueceu de mandar o onibus de linha que atende aos passageiros do barco.

Após um tempo de espera e alguma revolta por parte dos passageiros, alguns mais apressados se virando em caronas, chega um onibus. Mais alguns minutos e estou chegando na pousada Bôto, ótima por sinal.



Pousada Bôto, chalé no qual fiquei

Após uma breve negociação consegui um preço mais barato e fiquei num chalé super bacana, com ar-condicionado, tv, frigobar e banheiro privativo, bastante confortável. Como já era noite apenas tomei um belo banho, assisti um pouco de tv e fui dormir.

No dia seguinte acordei bem, tomei um ótimo café da manhã na pousada, aluguei uma moto e saí para explorar a ilha. Fui para Joanes, que é um distrito de Salvaterra. Uma vila a meio caminho entre o porto de chegada e Salvaterra, o acesso é feito por uma boa estrada de asfalto, aliás todas estradas asfaltadas são boas porque o movimento de veículos é pequeno, uma maravilha pra mim, um paulista que detesta congestionamentos.

Circulei por Joanes, fui até as ruínas jesuítas do século XVII, aproveitei que não tinha ninguém para me censurar e subi no farol para tirar umas fotos, a vista é maravilhosa.

Ruínas Jesuítas do sec XVII


Vista do alto do farol de Joanes com a Praia Grande de Joanes do fundo


Farol de Joanes, onde subi


Igreja Católica com as ruínas a direita e o farol ao fundo

Fui até a praia de Joanes, de ondas fortes, tomei um banho de mar, depois fiquei tomando uma água de côco e voltei pra estrada porque o tempo estava curto. Voltando peguei uma estrada de piçarra, que levava a mais duas praias que visitei rapidamente.


Esta é a tranquila Praia de Água Boa

Voltando a Salvaterra, fui até sua praia, que ainda não tinha visto.
Sem demora me informei e tomei o caminho para Soure, a outra importante cidade da ilha. Tanta pressa tinha um motivo, havia marcado hora com a Dona Eva, proprietária da Fazenda Bom Jesus, em Soure, para uma visita guiada, onde conheceria a rotina da fazenda, com direito a passeio de búfalo e café da tarde com produtos típicos da fazenda.


Uma das estradas que cortam a ilha

Para chegar a Soure é preciso atravessar Salvaterra, que não é grande, andar mais alguns km no asfalto até chegar a uma balsa, que atravessa um canal que separa as duas cidades.


Balsa em direção a Soure

Sob o sol forte das 14:00 chego minutos antes da travessia. Durante a travessia vejo um garoto com um isopor e o chamei perguntando se tinha sorvete, ao que ele responde: -não, só tenho chopp, que é o que estava escrito no isopor. Meio desconfiado, sem acreditar que ele realmente teria chopp naquele isopor peço para olhar e dou risada, dentro da caixa havia o que chamamos aqui de geladinho, ou juju, entre outros nomes. Comprei vários durante os 10 minutos de travessia.

Soure é uma tranquila e simpática cidade, com ruas largas e arborizadas e um ritmo totalmente diferente do que estamos acostumados aqui.


Tranquilidade em Soure


Ruas tranquilas em Soure

Em Soure me informei e consegui chegar na casa da Dona Eva, por sinal uma pessoa super simpática, que me recebeu muito bem. Aguardamos uns momentos e partimos para sua fazenda. Ao chegar lá conheci a fazenda, fomos ver os búfalos, com uma demonstração da Dona Eva que sabe domá-los, os faz deitar, levantar, andar.


O búlfalo "Rambo"


Um tranquilo passeio de búlfalo

É claro, dei uma voltinha em um, o animal é bem grande, muito legal. Depois fizemos uma caminhada pela fazenda, até o pôr-do-sol, que foi maravilhoso. Então tomamos um café da tarde com produtos da fazenda, como frutas, doces e derivados do leite de búfala.


Um visual das estradas que cortam a fazenda


Lagos que variam de tamanho conforme a maré


Belíssimas paisagens na fazenda Bom Jesus

A minha visita na fazenda atrasou um pouco pq junto com a gente estava uma equipe de filmagem do País de Gales, uma simpática mulher com estilo aventureiro, estava gravando um programa e ficaram um tempão filmando os búfalos, o que atrasou um pouco minha visita. Então saí da fazenda as pressas, pois a última balsa para Salvaterra saía as 19:00, imagine só eu acelerando a Honda Bizz, de pneus finos, nas estradas de terra, quase caindo, no escuro, foi adrenalina! hehehe mas acabei chegando a tempo graças a Deus.


Pôr-do-sol inesquecível

Feita a travessia da balsa, que era a última do dia, mais alguns km e voltei para pousada. Escolhi um prato, tomei um belo banho, assisti o jornal, jantei e apaguei, no dia seguinte acordaria as 05:00 para pegar o barco as 06:00 de volta pra Belém.

Minha passagem na Ilha de Marajó foi rápida, mas foi muito bem aproveitada!


O barco que faz a linha diária entre a ilha e Belém

Voltei para Belém no dia 10/out, chegando lá as 10:00. Mais uma vez na volta o barco balançou bastante mas eu vim nos bancos do meio, deitei e cochilei até quase a chegada.

Enfim, curti muito a Ilha de Marajó, recomendo o passeio, com no mínimo 2 dias para conhecer as melhores atrações, ou 3 dias sem muita correria.

Definitivamente a Ilha de Marajó é um lugar que voltarei a visitar com mais tempo.


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